Li um artigo mesmo interessante sobre o glaucoma congénito. Acho engraçado que ao fazer uma busca no google pela doença e imagens, aparecem crianças com ranho em volta dos olhos, com olhos enormes e desproporcionais. É como o monstro do Loch Ness. Se fosse assim tão evidente, seria mesmo fácil diagnosticar uma criança com glaucoma congénito.
Não conheço ninguém que tenha sido diagnosticado em bebé ou criança. Eu só fui em adolescência, mas num estado muito avançado. Seria interessante conhecer mais gente em Portugal que tenha tido o mesmo diagnóstico, saber como foram tratadas pelo médico, a reação da família.
Esta doença torna-se muito perigosa para uma criança, pois tal como num adulto os sintomas estão muitas vezes ausentes ou facilmente confundidos por outro tipo de situações.
Aqui ficam algumas ideias destacadas do artigo que li. Indico mais em baixo o caminho para que possa lê-lo também.
O glaucoma é um conjunto de doenças que envolve elevada pressão ocular, nervo ótico danificado e perda de visão. As causas para cada uma delas nem sempre estão interligadas.
No caso do glaucoma congénito notam-se alterações no olho devido à pressão intraocular elevada, as fibras óticas são danificadas, a dimensão do olho aumenta, córnea fica enevoada, disco e nervo óticos são danificados.
As causas para uma drenagem deficiente na câmara ocular são o fechamento do canal de Schlemm, por onde o olho liberta o humor aquoso e/ou deficiência na malha trabecular. Esta deficiência pode prover de uma herança genética ou desenvolver-se durante a infância. Pode ainda ser resultado de uma outra doença no olho.
A maioria dos casos são determinados geneticamente. Não é necessário que ambos os pais possuam o gene maligno e no caso de haver irmãos, é possível que um deles contenha também o mesmo gene. Há seis genes relacionados ao aparecimento de glaucoma, sendo o TIGR/Myocilin o maior responsável. Os outros genes provocam deficiência no circuito do humor aquoso e o aumento da pressão intraocular.
Os sintomas são muito variados e, dependendo do tipo de glaucoma, podem nem existir. No entanto as reações mais comuns são a intolerância à luz, opacidade da córnea, epífora e perda de visão. A córnea, a pupila e o olho podem aumentar, principalmente em crianças menores de três anos de idade. Existem também outros sintomas corporais que podem surgir. Por exemplo, irritabilidade, falta de apetite e enjoos. As crianças glaucomatosas estão muitas vezes tristes, irritadas e comem pouco.
Existem vários tratamentos. É necessário muita paciência por parte dos pais e persistência. Nenhum dos tratamentos vai recuperar a visão no caso de já estar perdida. No entanto, mesmo que a criança ou pessoa com glaucoma já esteja cega, o tratamento deve continuar a ser feito, pois uma pessoa com glaucoma sofre dores imensas quando é atacada de uma urgência de glaucoma e o olho continua a deformar-se. A cegueira é uma das consequências do glaucoma, mas não o limite. Nestes casos uma das opções é a enucleação.
Os tratamentos envolvem a aplicação de colírios ou gotas e no glaucoma congénito a cirurgia. Antes de se avançar para um tratamento a criança é submetida a uma série de exames, sendo por vezes necessário um exame sob anestesia para melhor analisar o estado do nervo ótico. Os tratamentos pretendem baixar a pressão intraocular e melhorar a circulação de fluídos no olho. Existem efeitos secundários em todos os tratamentos e devem ser registados, de modo a encontrar-se o tratamento mais adequado a cada pessoa. As cirurgias necessárias podem ser: trabeculotomia ou goniotomia - incisão feita na malha trabecular para melhorar a drenagem dos fluídos para o exterior do olho. Trabectulotomia - remoção de parte da malha trabecular e criação de um canal artificial para drenagem do líquido para o exterior do olho. O canal termina abaixo da conjuntiva e origina uma bolha pequena. Iridotomia - faz-se uma pequena abertura na íris. Na maioria dos casos é uma cirurgia feita a laser. Implante cirúrgico de glaucoma - é inserido um tubo de silicone artificial entre a câmara anterior ou posterior ligada a um reservatório exterior do olho. "Cycloablation" - ablação ciliar - consiste na destruição de uma área do corpo ciliar de modo a diminuir a produção de líquido no interior do olho. E enucleação ou remoção do olho.
A operação é o recurso para travar o avanço do glaucoma, mas a pessoa poderá ficar dependente das gotas para o resto da sua vida. Assim como um diabético ou como em outras doenças crónicas, o glaucoma não tem cura e deve ser bem tratado. As gotas devem ser incutidas na criança como uma rotina. Assim como lavar os dentes, dormir, beber água, comer.
Não é possível recuperar a visão, mas a consequência final do glaucoma não tem de ser a cegueira.
Uma vez que a perda da visão é periférica, uma das dicas que se pode dar a uma criança ou pessoa com glaucoma é distanciar-se do objeto, pois assim terá uma visão mais completa do mesmo.
Apesar de todos estes cuidados, o glaucoma não impede de fazer aquilo de que se gosta, mesmo quando se tratam de desportos radicais. O importante é estar atento aos efeitos do glaucoma na nossa vida, mas não limitando a nossa vida à nossa condição.
Pode ler o artigo em inglês aqui.
A informação disponibilizada na Internet sobre o glaucoma em português, comparado com outras línguas, é insuficiente. Com este blogue pretendo partilhar as informações que vou recolhendo e com isto dar início a uma maior discussão sobre a doença em Portugal. Apelo ao leitor que deixe a sua opinião, dúvidas, sugestões e se encontrar erros a nível da informação não hesite em escrever-me para que os possa corrigir.
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17 de novembro de 2012
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