Aqui gostava de acrescentar algumas dicas sobre como viver com glaucoma. Eu nunca segui à risca nenhum tratamento para o glaucoma, mas acho que estou a melhorar e a esforçar-me por aumentar a minha saúde. Acho que consigo lidar melhor com a minha medicação e estado físico. Uma vez que fui diagnosticada com 14 anos, em plena idade da parvoeira, e não tive nenhum apoio dos meus pais para seguir o tratamento ou sequer para me submeter à cirurgia, sempre tive uma reação muito má à minha doença e pensava que devia em qualquer fase da minha vida iniciar um programa de educação para invisuais. Pensava nisso como forma de me prevenir do meu futuro. Talvez seja um pensamento demasiado dramático, afinal a minha médica acabou de me prescrever umas lentes com uma graduação mais baixa e de confirmar que a minha visão e tensão intraocular (10/15 mm Hg) estavam neste momento estáveis. É uma conquista, tendo em conta que aos 14 anos tive 44 mm Hg no olho direito. No entanto, sei que a situação se pode reverter e por isso, não querendo perder o acesso ao mundo maravilhoso dos que veem, acho importante ter conhecimento daquilo que os especialistas consideram uma vida saudável e preventiva para o glaucomatoso.
Regra número um: seguir o tratamento recomendado pelo oftalmologista. É normal sentir-se efeitos secundários relativamente às gotas, principalmente no início do tratamento, mas caso persistam, deve-se então falar com o oftalmologista e possivelmente mudar de medicação. Resposta de um mau oftalmologista: "esses sintomas são psicológicos". Se realmente tem mais dores de cabeça do que tinha antes de tomar as gotas, se sente mais enjoos, insista nisso e não desista até que o seu médico tome uma medida a seu favor. É necessário tomar as gotas a horas e as vezes que tiver sido prescrito. Eu tenho imensa dificuldade com isso, pois detesto rotina. Durante muitos anos negligenciei o horário das gotas e até as gotas, mas isso não me trouxe nenhum benefício, apenas o aparecimento de uma catara no olho. Agora ponho o frasco das gotas junto da pasta de dentes. Todos os dias lavo os dentes ao levantar e ao deitar. Assim, a par de lavar os dentes ponho também a gota no olho. Não se recomenda andar com as gotas no saco, para tomar onde quiser, uma vez que elas precisam de estar conservadas num local seco e a determinada temperatura para prolongarem o seu vigor. Existem até alguns tipos que devem ser conservados no frigorífico.
A ter em atenção: depois de colocar a gota pode-se ficar com a visão momentaneamente turva e, por isso, convém fazê-lo num local em que isso não o/a prejudique. Deve-se ter as mãos limpas, a cabeça voltada para trás, olhar para cima e formar um papinho puxando a pálpebra inferior para baixo. Deita-se a gota e fecha-se o olho, premindo o canto do olho (junto ao nariz) por 2-3 minutos. Isso faz com que a gota permaneça no olho e não seja expelida por outros canais, como a garganta ou o nariz. Não se deve nem esfregar o olho, nem tocar com a ponta do frasco no olho. Existem imagens na Internet que mostram este processo e alguns folhetins trazem esta descrição. Mais em baixo indico os sites de onde retirei esta informação. Repetir este processo todas as vezes que colocar a(s) gota(s). Deve haver glaucomatosos que não precisam de gotas, mas na sua maioria é o tratamento comum e temos de nos mentalizar que elas são como insulina para nós. Quando comecei o tratamento tomava duas gotas no OD duas vezes por dia. Agora só tomo uma gota duas vezes por dia. Tomo sempre de 12 em 12 horas, mas quem melhor pode aconselhar sobre isso é o seu médico, uma vez que os tratamentos variam de caso para caso.
Outras informações importantes: é possível ter de mudar várias vezes o tipo de gotas ao longo da vida, pois o uso continuado das mesmas gotas por um determinado tempo pode deixar de funcionar. E não deve usar o mesmo frasco por mais de um mês, uma vez que, depois de aberto, o colírio perde propriedades.
O enfraquecimento da visão pode prejudicar a execução normal das tarefas rotineiras, mesmo com o uso de óculos ou lentes. Existem treinos ou apoio para pessoas com visibilidade reduzida. Mas não sinta isso como um impedimento para continuar a viver a sua vida de um modo ativo e prazenteiro. Há pessoas que vivem estupendamente sem as duas pernas ou em condições físicas inimagináveis. Se olharmos para uma doença crónica como uma desculpa para não vivermos a nossa vida do modo que desejamos, então a vida está a escapar-nos por entre os dedos. Pode-se viver aventuras de um modo responsável. O medo é o seu maior obstáculo. Experimente enfrentá-lo.
Medicamentos prejudicais para glaucomatosos são os que contêm cortisona. São pílulas antigripais. O folhetim informativo do medicamento contém esta informação. Os farmacêuticos não estão bem informados quanto a estes impedimentos e o melhor é dizer à pessoa por trás do balcão quando for comprar algum medicamento sem prescrição médica.
O uso do lápis para os olhos, no caso das mulheres que gostam de se maquilhar, não é proibido, mas deve-se ter o cuidado de usar um lápis anti-alérgico.
O uso de lentes de contacto não influencia a pressão intraocular e chega a ser benéfico, na medida em que as lentes fazem com que as gotas fiquem retidas por mais tempo no olho. No entanto, os colírios tornam a córnea insensível e no caso de haver uma infeção por causa das lentes, a pessoa não se vai aperceber tão facilmente disso. Outro senão é que, com o tempo, o uso das lentes de contacto leva a uma alteração da conjuntiva. Glaucomatosos com uma fístula (feita por trabeculectomia) correm o risco desta cicatrizar e de perder o efeito desejado pela cirurgia. Além do mais, o próprio material de que são feitas as lentes pode aumentar o sintoma de olhos secos. Deve medir bem os prós e contras de usar lentes de contacto e discutir isso com o seu oftalmologista.
No geral se o corpo estiver em boa forma e saudável, o glaucoma também está. Para manter o corpo em boa forma: boa alimentação, exercício físico e higiene são os cuidados básicos.
Relativamente ao tipo de alimentação que influência a pressão intraocular, existem várias opiniões. A minha oftalmologista diz que não há nada cientificamente comprovado sobre isso. No entanto, vários sites, revistas, bibliografia da especialidade mencionam alguns cuidados a ter:
- A ingestão faseada de líquidos: ou seja, não muito de uma vez só, mas de um modo faseado e intervalado ao longo do dia. Por exemplo, o café ou o chá levam, após ingestão, a um aumento (residual) da pressão intraocular durante algumas horas. Não é prejudicial beber café ou chá, mas deve beber poucas vezes ao dia e com intervalos grandes.
- O consumo de álcool é benéfico nos casos de um glaucoma agudo, pois reduz a pressão intraocular e até pode servir como solução nos casos de urgência. Mas deve-se beber com moderação, pois é prejudicial à saúde no geral.
- Fumar não é recomendado, pois apesar de não ter uma ligação direta com a pressão ocular, o fumo provoca doenças na córnea e até catarata, para além de ser responsável por muitas outras doenças.
- Reduzir no sal, pois faz reter líquidos no corpo.
- Há vitaminas que melhoram a saúde dos olhos: zinco, cobre, antioxidantes, vitaminas E, C e A, minerais antioxidantes, selênio.
- Frutos vermelhos do tipo mirtilo (em inglês: European blueberry, bilberry): não há provas de prevenirem o aparecimento do glaucoma, mas são benéficos ao olho, especialmente na proteção e fortalecimento das paredes capilares do olho, aumento da visão noturna e redução do tempo de recuperação por ofuscamento.
Em relação ao exercício físico, recomenda-se atividade física regular, relaxamento e descanso.
Nos casos em que o campo visual é muito reduzido, pode ter dificuldade em praticar alguns tipos de desporto, por não conseguir ver a bola ou, no ciclismo, ver os obstáculos. Possivelmente também não poderá conduzir.
O mergulho ou outras atividades subaquáticas fazem aumentar a pressão intraocular e a sua prática deve previamente ser discutida com o seu oftalmologista. Deve-se usar óculos de natação e óculos protetores no caso de desportos violentos.
Quanto à prática de ioga deve-se ter em atenção certas posições invertidas.
Tudo depende do quanto o corpo está relaxado para aguentar a pressão.
Exercício regular previne doenças, melhora o sistema cardíaco, atenua o stress e
é um benefício para a saúde geral do corpo. Houve um estudo que mostrou
que um glaucomatoso que caminha cerca de 4 vezes por semana durante 40
minutos pode reduzir a pressão intraocular e assim eliminar a
dependência de
beta blockers ou as gotas deste tipo. Claro que
não deve substituir gotas por caminhadas sem que o seu oftalmologista lhe confirme isso mesmo.
Outras situações:
- A sauna não é prejudicial, pelo contrário, baixa a pressão intraocular.
- A anestesia geral também não é prejudicial e há até casos em que favorece a pressão intraocular. Note-se que há exames, no caso do glaucoma congénito, que são feitos sob anestesia geral.
- Não há impedimentos quanto a voar, mas se pretende fazê-lo por rotina, deve estar atento e consultar o seu oftalmologista com regularidade.
- Os instrumentos de sopro levam a um aumento da pressão intraocular. Deve discutir isso com o seu oftalmologista, caso pretenda tocar um instrumento deste tipo.
- Durante a gravidez a pressão intraocular desce, ao contrário do que acontece na menopausa. Isto demonstra que as hormonas sexuais têm uma implicação na regulação da pressão intraocular. (Este aspeto serve apenas como chamada de atenção ou como curiosidade.)
Como disse no início da mensagem, eu não penso nisto diariamente, talvez devesse fazê-lo para conseguir melhorar ainda mais a minha condição. Mas acho toda esta informação interessante e se for tida em consideração, poderá atenuar os efeitos do glaucoma na visão, na vida e mesmo que isso não aconteça, pelo menos vai ter um impacto positivo no seu bem estar físico geral.
Fontes:
- Site - http://www.glaucoma.org/ (em inglês)
- Flammer, Josef, entre outros, Glaukom, publicação de 2009, capítulo 8 (em alemão)