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19 de outubro de 2020

Trabeculoplastia seletiva por laser

Este verão ouvi falar pela primeira vez da trabeculoplastia seletiva por laser nesta minha aventura por Espanha. Nunca antes me tinha sido sugerida por nenhum médico e, considerando todos os positivos desta intervenção cirúrgica, foi algo que me deixou intrigada. O oftalmologista que me examinou fez-me realizar vários exames e, ao fim de uma hora, disse-me que era demasiado jovem para estar dependente de tantos colírios, que apenas me prejudicavam a saúde ao nível do coração e dos pulmões, e que a melhor terapêutica para o meu caso era esta intervenção cirúrgica de que nunca tinha ouvido falar. Apresentaram-me um orçamento e marcaram a intervenção para daí a uma semana.

A trabeculoplastia seletiva por laser (STL) é uma terapêutica não-invasiva aplicada sobre a malha trabecular e, segundo o que me explicou, funciona estimulando a malha trabecular a segregar melhor o líquido interno do olho, fazendo com que a pressão intraocular baixe.


Estudo de caso sobre STL aqui e aqui.

Esta intervenção aplica-se a pacientes de glaucoma de ângulo aberto e como, teoricamente, não apresenta riscos nem danos relevantes, pode ser repetida. Aliás, como a sua eficácia é limitada a longo prazo, tem de ser repetida.

Não fiz imediatamente a cirurgia, mas tendo em conta que não apresenta riscos, resolvi avançar, numa tentativa de diminuir a necessidade de colírios.

O motivo porque não é adequada para o meu caso é porque sofro de um glaucoma congénito de ângulo fechado e tenho uma catarata no olho afetado, pelo que antes de fazer uma STL - isto para obter os melhores resultados - teria de operar primeiro a catarata e, como me foi sugerido recentemente, fazer uma cirurgia combinada para remover a catarata, implantar uma lente e um novo canal artificial para melhorar o corrimento do líquido interno do olho. A par disto teria de continuar a colocar colírios sempre e fazer as consultas de revisão de três em três meses. Portanto, a STL, cujo principal objetivo é a redução da dependência de colírios, não se aplica neste caso.

Na primeira consulta de follow-up que tive com o médico que me recomendou a STL, este queria apresentar-me um novo orçamento para avançar para a cirurgia da catarata e como comecei a questioná-lo disse à assistente para me marcar uma consulta com uma especialista. Passado um mês tive a consulta com a dita especialista que me disse à partida que, no meu caso, tinha de esquecer a hipótese de não precisar de colírios, ou seja, iria sempre precisar de colírios, aliás, se antes colocava duas gotas por dia, receitou-me colírios para passar a colocar cinco gotas por dia: três no olho afetado para o glaucoma e uma em cada olho para diminuir a sensação de secura. Além disso, que no meu caso, nunca poderia ter apenas duas revisões anuais, teria de ter revisões pelo menos de três em três meses.

No meio disto tudo, pergunto-me porque é que a clínica me marcou uma consulta com um médico, que pelos vistos não era especializado em glaucoma, e porque é que este médico não me passou imediatamente para a pessoa competente no final da primeira consulta em vez de tentar interferir num tratamento que não entende e desconhece e insistir numa terapêutica não adequada para o meu caso.

Ao fim e ao cabo, por mais que soe tentador a ideia de termos uma vida normal sem necessidade de colírios e de revisões com um oftalmologista, o que me disse esta jovem especialista hoje, e que para mim faz todo o sentido depois de viver 23 anos com glaucoma, é impossível ter uma vida despreocupada. Poderá ser aparentemente normal, mas nunca o será.

Embora o glaucoma seja uma doença que pode levar à cegueira, não nos podemos agarrar a esta ideia com medo. Temos de procurar quem seja capaz de nos acompanhar, compreender, e não se aproveite das nossas fraquezas. Para quem sofre de glaucoma congénito, passar horas em hospitais ou clínicas é frustrante e praticamente impensável. Não temos uma incapacidade propriamente dita, no meu caso, mas temos de nos ausentar do trabalho várias vezes ao ano, o que não é possível. Não haverá uma solução melhor?


6 de julho de 2020

Vida nova

Em dezembro do ano passado resolvi aceitar um novo desafio, o que significou deixar para trás alguns projetos, mudar de cidade e de país, começar a trabalhar numa nova empresa sem saber ao certo por quanto tempo. Um ano seria garantido.

Afinal o que significou essa mudança para mim? Primeiro significou deixar a minha oftalmologista que me seguia há sete anos. Foi a primeira oftalmologista com quem me mantive durante tantos anos. Parecendo que não, fez uma grande diferença poder ser seguida por alguém em quem confiava e que realmente me acompanhava. Mesmo não sendo a paciente ideal, a paciente que seguia à risca o tratamento e ia a todas as consultas exatamente quando era suposto ir.

Abro aqui um parêntesis para explicar. Há sete anos que era seguida no privado. Antes era seguida no São João, mas dado que tinha seguro de doença pela empresa onde trabalhava, procurei um oftalmologista especializado em Glaucoma e Cataratas no privado para ser seguida por um único oftalmologista com quem pudesse criar um historial e uma relação mais próxima de paciente-médico. Além disso, ir às consultas no São João tornou-se inviável, dado que estava a viver em Lisboa e não no Porto. Outros motivos, no hospital era sempre atendida por um médico diferente, perdia horas à espera de ser atendida e muitas vezes acabava em consultas que eram uma espécie de aula: o médico que me atendia explicava a minha doença aos seus alunos, que me observavam e tiravam os seus apontamentos.
E no privado? Inicialmente ia a uma clínica que tinha uma oftalmologista especializada e todos os aparelhos necessários para poder ir à consulta e fazer os exames todos no mesmo local e, se possível, no próprio dia da consulta. Sabia que ia esperar, mas fazia tudo no mesmo dia, portanto, perdia apenas um dia. Problema? A oftalmologista que me acompanhava deixou a clínica, abriu o seu próprio consultório e eu segui-a porque queria ser seguida pela mesma oftalmologista. O que aconteceu a seguir foi que passei a uma situação menos conveniente para mim em que além de ir às consultas cada vez mais difíceis de marcar pelo número cada vez mais elevado de pacientes, passei a ter de marcar exames noutras clínicas equipadas com os aparelhos necessários. O consultório não tinha acordos com seguros de doença e eu entretanto também perdi o meu seguro de doença por ter deixado de trabalhar para a empresa onde estava. Basicamente mudou tudo. Apesar disso, o que mais me incomodou ainda foram as horas de espera. E no dia que me queixei disso, foi o dia em que a minha médica me disse que talvez devesse procurar outro médico.

Portanto, aqui estou noutro país, e novamente no ponto de partida. Mais devido ao confinamento e porque nem sequer é viável ir a Lisboa de cada vez que preciso de uma consulta, tendo em conta que as consultas serão seguidas de outras consultas para marcar exames noutras clínicas e não disponho desse tempo. Então o problema de sofrer de Glaucoma não é sermos dependentes de colírios, mas sim sermos dependentes de alguém que nos examine e nos prescreva os colíros de que precisamos, já que nem sequer podemos usar os mesmos colírios a vida toda e temos de fazer os exames a vida toda.

Neste momento tenho duas hipóteses, procurar um oftalmologista no privado seguindo a mesma lógica de encontrar alguém, idealmente sempre o mesmo oftalmologista, que me siga pelo menos durante todo o tempo que aqui estiver, ou tentar encontrar alguém no público, porque não sei o dia de amanhã, e não sei por quanto tempo terei seguro de doença. Acho que vou tentar as duas vias, e ver qual delas é a mais conveniente. Numa primeira experiência, posso dizer que em Espanha o médico no serviço particular quando passa uma prescrição para ser levantada na farmácia, o estado não comparticipa o medicamento, assim por um frasco de colírio paguei a totalidade do medicamento: 15 €. É  praticamente um luxo sofrer de Glaucoma.

Como será com o serviço público?

1 de outubro de 2018

Partilha de testemunho


Bom dia!

Hoje venho com um pedido especial. Estou a fazer uma colectânea de testemunhos sobre o Glaucoma para efeitos de publicação no blogue e/ou livro. A minha intenção é dar mais voz ao Glaucoma por quem sofre. Contem-me a vossa história! Digam-me os vossos receios, como enfrentam as barreiras do dia-a-dia.
  
Partilhe a sua história:
  • Quando descobriu que tinha Glaucoma? Há quanto tempo?
  • Como reagiu ao Glaucoma de um familiar?
  • Como foi quando descobriu que a sua filha ou filho sofria de Glaucoma?
  •  Quais são as suas maiores dificuldades hoje em dia em relação ao Glaucoma?
Envie a sua história para este e-mail.

Ao receber os vossos testemunhos irei enviar um consentimento para saber de que maneira posso publicar os mesmos.

Muito obrigada pela sua partilha!

 

4 de fevereiro de 2015

Centros Óticos, Oculistas e Outros Serviços de Assistência ao Glaucoma

Numa época de crise, é bom termos alternativas para podermos vigiar a nossa saúde. O Glaucoma, mais conhecido como o 'ladrão silencioso da visão', pode ser vigiado gratuitamente. O principal fator para o Glaucoma é a elevada pressão intraocular (PIO). É possível controlar os valores PIO com uma medição regular.
Há centros óticos que oferecem este serviço e lhe dão uma senha com os valores obtidos. Se forem altos, pode mostrar ao seu médico de família e pedir para que lhe atribuam uma consulta num hospital da especialidade de modo que seja acompanhado por um especialista e obtenha o tratamento adequado a si.
Por isso, à semelhança da mensagem Oftalmologistas especializados em glaucoma muito visitada neste blogue, resolvi criar aqui uma lista de centros óticos e outros serviços a que pode recorrer gratuitamente para vigiar o seu Glaucoma.
Esta mensagem irá ser atualizada e alimentada com o tempo.


Ótica PITA
Setúbal, Grândola e Sines
Informações neste link

Jorge Oculista
Vila Nova de Famalicão
Informações neste link

Oculista do Feijó
Almada
Informações neste link

Centro Óptico da Póvoa
Póvoa de Santo Adrião, Odivelas
Informações neste link

Adão
Porto
Informações neste link

Óptica - Don Miguel
Alvalade
Informações neste link

Grupo Optivisão
Évora
Informações neste link

Oculista Cristal de Ouro
Lisboa
Informações neste link






   


6 de abril de 2013

Células estaminais

A evolução de um olho glaucomatoso tem várias fases. Num estado primário há a alteração da pressão ocular, que é bastante subtil e por isso, difícil de controlar. Num estado mais avançado há a deterioração do disco ótico, provocando uma escavação e consequentemente a morte de fibras nervosas, células da retina e do nervo ótico. Este é o condutor da informação visual para o cérebro. Quando danificado, a comunicação não é feita e daí a incapacidade visual.
Enquanto se acreditava que a elevada pressão intra-ocular era o único fator envolvido no aparecimento do glaucoma, procurou-se a cura através de colírios ou cirurgias que pudessem melhorar a circulação líquida do olho. Procurou-se perceber a causa e consequência da pressão alta e intervir, mesmo quando ainda não existissem danos na visão.
No entanto, esta intervenção tem sido preventiva e não curativa. Um glaucomatoso depois de operado não fica curado, fica aliviado da progressão da doença. O uso dos colírios desde o diagnóstico será para continuar até ao final da vida. Portanto, o glaucoma é uma doença crónica de elevados custos e quando num estado avançado difícil de travar.
Atualmente o foco do glaucoma voltou-se para o estudo do impacto do cérebro no glaucoma e do nervo ótico (1). O nervo ótico é formado por células não regenerativas. Por isso a cirurgia não poderia recuperar um nervo ótico danificado, nem recuperar a visão do glaucomatoso.
Estão a ser feitos testes através de células estaminais para perceber se poderiam regenerar a estrutura celular do nervo ótico e assim recuperar a visão do glaucomatoso (2). Por enquanto este estudo ainda está a ser feito em animais, e parece que estão a ter boas reações. Prevê-se que em 2015 se possa começar a testar em pessoas.
A utilização de células estaminais na cura de doenças tem sido controversa, principalmente no que se refere a células-tronco (origem embrionária). E por isso, apesar de esta descoberta ser um avanço científico com resultados positivos para doenças crónicas, a sua utilização é limitada. Cada governo tem a sua própria legislação e acaba por ser um tópico tão sensível como o uso de canábis no tratamento de doenças crónicas.

Aqui deixo o acesso para a Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular - SPCE

De qualquer modo, seria um grande passo se o tratamento do glaucoma previ-se a recuperação parcial ou completa do campo visual.

14 de fevereiro de 2013

Custos do glaucoma

O glaucoma é uma doença comparticipada pelo SNS. O doente não deve ser somente acompanhado por um oftalmologista da especialidade, mas também pelo seu médico de família. Assim que o glaucoma é diagnosticado, seja em que idade for, deve-se falar disso com o médico de família, pois ele é quem lhe vai dar acesso ao hospital, no caso de precisar de obter uma consulta de especialidade ou de ser internado. E quando não puder ir ao oftalmologista no mês que tinha previsto por questões variadas, é o médico de família que lhe passa a receita médica para que possa comprar as gotas de um modo comparticipado. A diferença é de cinco euros para cinquenta cêntimos. Um frasco só pode ser usado durante um mês. Sendo assim, num ano vai precisar de 12 frascos. Sem receita médica gasta ca. de 60 euros e com receita gasta 6 euros. O médico de família não vai determinar que tratamento é que deve fazer, nem vai definir que tipo de gotas deve tomar, mas ajuda-o a continuar o tratamento e a aceder aos serviços necessários para melhor efetuar o tratamento. Nem sempre os médicos de família são acessíveis, mas lembre-se de que o glaucoma é uma doença crónica e por isso vai precisar do todo o apoio para o resto da sua vida.

O modo como deve expor o problema ao seu médico de família é mesmo dizer os sintomas que tem tido (olhos inchados, vermelhos, dor de cabeça, enjoos) e convencê-lo de que precisa de ser visto por um oftalmologista, mas que não tem possibilidade de ir a um oftalmologista privado.
Se quiser ter a certeza de que o problema está nos seus olhos e não no fígado ou no medicamento que anda a tomar para o coração, passe num oculista. Existem centros óticos que dão consultas gratuitas e que fazem exames complementares gratuitos. No oculista não vai encontrar o tratamento para a sua doença, mas vai perceber se deve ou não consultar um oftalmologista. Por exemplo, no Centro Óptico de Santa Luzia pode medir gratuitamente a tensão nos olhos (ou mais corretamente, a pressão intraocular). Um doente com glaucoma pode sofrer tanto por ter a pressão demasiado baixa como demasiado alta. Os valores normais encontram-se entre 12-22 mmHg. Estes valores dependem do modo como a máquina está calibrada e dependem das características de cada pessoa, como por exemplo, se a espessura da córnea é mais fina ou mais grossa. Os valores também podem variar dependendo da hora do dia. O importante é que estejam estáveis com aquilo que costuma ter. Idealmente tem um passe onde vai anotando os diferentes valores que teve nos diferentes dias e horas em que mediu e, assim, já pode comparar e saber se está tudo bem.

Mas atenção, se é a primeira vez que mede a tensão este exame por si só não chega. É no entanto um índice caso alguma coisa esteja errada. O técnico que lhe medir a tensão pode ajudar e aconselhar sobre o que deve fazer ou quem deve procurar. Além do mais dão-lhe um recibo com os valores da sua pressão ocular, que pode apresentar ao seu médico de família como prova de que os seus olhos não estão bem.
O Oculista Cristal de Ouro também realiza exames gratuitos de tonometria. E por exemplo o Jorge Oculista dá consultas gratuitas uma vez por semana. Pergunte no seu oculista mais próximo se fazem rastreios visuais, se dão consultas e se medem a tensão dos olhos.

Se tiver de ser operado, dependendo do grau de urgência do seu caso, quando o faz a partir do SNS acaba por ter de se sujeitar às listas de espera. Aqui não sei determinar quanto tempo as pessoas com glaucoma têm de esperar até poderem ser operadas. No meu caso esperei apenas um mês e apenas porque o médico queria que eu fizesse a cirurgia no período de férias escolares. Na altura em que fiz a cirurgia não obtive estatuto de isenta e tive de pagar as taxas moderadoras. De qualquer modo, foi sempre muito barato, muito mais do que se tivesse feito a cirurgia num hospital particular.
Depois da cirurgia obtêm-se consultas de especialidade regulares no hospital e na data definida pelo médico responsável. O habitual é receber-se um passe com as datas agendadas. Assim, um paciente com glaucoma pode nunca ter de recorrer a um oftalmologista particular e ser totalmente acompanhado pelo oftalmologista do hospital onde foi operado. O benefício de ter estas consultas no hospital é ter acesso a todo o tipo de exames complementares necessários para acompanhar a evolução da doença, que acabam por estar integrados na consulta e são normalmente marcados pelo oftalmologista, sempre que necessário.

Quando apenas se é acompanhado por um oftalmologista privado, caso este dê consultas num espaço sem os equipamentos necessários, terá de recorrer a clínicas privadas para obter os exames complementares e tudo isto significa custos adicionais. Imagine, paga a consulta com o oftalmologista que por suas vez lhe dá receitas para fazer exames. Vai a uma clínica particular e faz os exames pedidos e paga adicionalmente por cada um deles. Volta ao seu oftalmologista para apresentar os exames e volta a pagar a consulta. Além do mais os exames, pelo menos os dos campos visuais, têm de ser feitos pelo menos duas vezes por ano. Idealmente vai a uma clínica que possui todo o material e oftalmologista da especialidade de modo a fazer tudo no mesmo local e idealmente, se vai ser acompanhado por um oftalmologista do sistema privado deve ter um seguro de saúde.

Existem vários exames para determinar se um paciente tem ou não glaucoma e que devem ser feitos com alguma regularidade depois de diagnosticado para acompanhar a evolução da doença.
Os cinco mais comuns são:
- Tonometria: medição da pressão intraocular
- Oftalmoscopia: para analisar a forma a a cor do nervo ótico
- Perimetria: para analisar o campo visual completo
- Gonioscopia: para avaliar o ângulo da câmara anterior
- Paquimetria: usado para medir a espessura da córnea


Para além dos exames há ainda os custos com os óculos, no caso de precisar. A mim pedem-me sempre que use lentes especiais anti-reflexo, de espessura fina e idealmente usaria ainda óculos de sol, pois um olho com glaucoma é mais sensível à luz. Isso implica ter sempre dois pares de óculos e de cada vez que tenho de mudar as lentes de um por causa da graduação, tenho de mudar as lentes do outro. Existe sempre a hipótese de usar um tipo de lente que se adapta à intensidade da luz e assim apenas precisa de se preocupar com um par de óculos. Neste caso o SNS já não comparticipa nada. Existem seguros de saúde que cobrem uma percentagem do custo dos óculos e alguns oculistas têm acordos inclusive com instituições bancárias oferecendo descontos. É uma questão de estar atento aos vários tipos de descontos.

Para quem não pode mesmo financiar um par de óculos tem sempre a hipótese de recorrer à ajuda de alguma instituição de caridade. Por exemplo a Leos Portugal não só recolhe óculos usados como distribui óculos pelas pessoas carenciadas. Há oculistas que fazem a recolha dos óculos ou pode ir diretamente à associação entregar os seus óculos velhos, aqueles que se vão amontoando na gaveta e apenas ocupam espaço ou apenas servem de lembrança, mas já não vai utilizar mais. Esses óculos podem servir a outras pessoas.

Portanto, se descobrir que tem glaucoma, você ou alguém da sua família, círculo de amigos e acha que não tem qualquer condição financeira para poder avançar com um tratamento para o resto da vida não desespere. Os custos do glaucoma não têm necessariamente de ser incomportáveis. Existe muito apoio, apenas precisa de falar com as pessoas certas.


Mais informações sobre taxas moderadoras aqui.

24 de novembro de 2012

Boas práticas para cuidar o seu glaucoma

Aqui gostava de acrescentar algumas dicas sobre como viver com glaucoma. Eu nunca segui à risca nenhum tratamento para o glaucoma, mas acho que estou a melhorar e a esforçar-me por aumentar a minha saúde. Acho que consigo lidar melhor com a minha medicação e estado físico. Uma vez que fui diagnosticada com 14 anos, em plena idade da parvoeira, e não tive nenhum apoio dos meus pais para seguir o tratamento ou sequer para me submeter à cirurgia, sempre tive uma reação muito má à minha doença e pensava que devia em qualquer fase da minha vida iniciar um programa de educação para invisuais. Pensava nisso como forma de me prevenir do meu futuro. Talvez seja um pensamento demasiado dramático, afinal a minha médica acabou de me prescrever umas lentes com uma graduação mais baixa e de confirmar que a minha visão e tensão intraocular (10/15 mm Hg) estavam neste momento estáveis. É uma conquista, tendo em conta que aos 14 anos tive 44 mm Hg no olho direito. No entanto, sei que a situação se pode reverter e por isso, não querendo perder o acesso ao mundo maravilhoso dos que veem, acho importante ter conhecimento daquilo que os especialistas consideram uma vida saudável e preventiva para o glaucomatoso.

Regra número um: seguir o tratamento recomendado pelo oftalmologista. É normal sentir-se efeitos secundários relativamente às gotas, principalmente no início do tratamento, mas caso persistam, deve-se então falar com o oftalmologista e possivelmente mudar de medicação. Resposta de um mau oftalmologista: "esses sintomas são psicológicos". Se realmente tem mais dores de cabeça do que tinha antes de tomar as gotas, se sente mais enjoos, insista nisso e não desista até que o seu médico tome uma medida a seu favor. É necessário tomar as gotas a horas e as vezes que tiver sido prescrito. Eu tenho imensa dificuldade com isso, pois detesto rotina. Durante muitos anos negligenciei o horário das gotas e até as gotas, mas isso não me trouxe nenhum benefício, apenas o aparecimento de uma catara no olho. Agora ponho o frasco das gotas junto da pasta de dentes. Todos os dias lavo os dentes ao levantar e ao deitar. Assim, a par de lavar os dentes ponho também a gota no olho. Não se recomenda andar com as gotas no saco, para tomar onde quiser, uma vez que elas precisam de estar conservadas num local seco e a determinada temperatura para prolongarem o seu vigor. Existem até alguns tipos que devem ser conservados no frigorífico.
A ter em atenção: depois de colocar a gota pode-se ficar com a visão momentaneamente turva e, por isso, convém fazê-lo num local em que isso não o/a prejudique. Deve-se ter as mãos limpas, a cabeça voltada para trás, olhar para cima e formar um papinho puxando a pálpebra inferior para baixo. Deita-se a gota e fecha-se o olho, premindo o canto do olho (junto ao nariz) por 2-3 minutos. Isso faz com que a gota permaneça no olho e não seja expelida por outros canais, como a garganta ou o nariz. Não se deve nem esfregar o olho, nem tocar com a ponta do frasco no olho. Existem imagens na Internet que mostram este processo e alguns folhetins trazem esta descrição. Mais em baixo indico os sites de onde retirei esta informação. Repetir este processo todas as vezes que colocar a(s) gota(s). Deve haver glaucomatosos que não precisam de gotas, mas na sua maioria é o tratamento comum e temos de nos mentalizar que elas são como insulina para nós. Quando comecei o tratamento tomava duas gotas no OD duas vezes por dia. Agora só tomo uma gota duas vezes por dia. Tomo sempre de 12 em 12 horas, mas quem melhor pode aconselhar sobre isso é o seu médico, uma vez que os tratamentos variam de caso para caso.
Outras informações importantes: é possível ter de mudar várias vezes o tipo de gotas ao longo da vida, pois o uso continuado das mesmas gotas por um determinado tempo pode deixar de funcionar. E não deve usar o mesmo frasco por mais de um mês, uma vez que, depois de aberto, o colírio perde propriedades.

O enfraquecimento da visão pode prejudicar a execução normal das tarefas rotineiras, mesmo com o uso de óculos ou lentes. Existem treinos ou apoio para pessoas com visibilidade reduzida. Mas não sinta isso como um impedimento para continuar a viver a sua vida de um modo ativo e prazenteiro. Há pessoas que vivem estupendamente sem as duas pernas ou em condições físicas inimagináveis. Se olharmos para uma doença crónica como uma desculpa para não vivermos a nossa vida do modo que desejamos, então a vida está a escapar-nos por entre os dedos. Pode-se viver aventuras de um modo responsável. O medo é o seu maior obstáculo. Experimente enfrentá-lo.

Medicamentos prejudicais para glaucomatosos são os que contêm cortisona. São pílulas antigripais. O folhetim informativo do medicamento contém esta informação. Os farmacêuticos não estão bem informados quanto a estes impedimentos e o melhor é dizer à pessoa por trás do balcão quando for comprar algum medicamento sem prescrição médica.

O uso do lápis para os olhos, no caso das mulheres que gostam de se maquilhar, não é proibido, mas deve-se ter o cuidado de usar um lápis anti-alérgico.

O uso de lentes de contacto não influencia a pressão intraocular e chega a ser benéfico, na medida em que as lentes fazem com que as gotas fiquem retidas por mais tempo no olho. No entanto, os colírios tornam a córnea insensível e no caso de haver uma infeção por causa das lentes, a pessoa não se vai aperceber tão facilmente disso. Outro senão é que, com o tempo, o uso das lentes de contacto leva a uma alteração da conjuntiva. Glaucomatosos com uma fístula (feita por trabeculectomia) correm o risco desta cicatrizar e de perder o efeito desejado pela cirurgia. Além do mais, o próprio material de que são feitas as lentes pode aumentar o sintoma de olhos secos. Deve medir bem os prós e contras de usar lentes de contacto e discutir isso com o seu oftalmologista.

No geral se o corpo estiver em boa forma e saudável, o glaucoma também está. Para manter o corpo em boa forma: boa alimentação, exercício físico e higiene são os cuidados básicos.

Relativamente ao tipo de alimentação que influência a pressão intraocular, existem várias opiniões. A minha oftalmologista diz que não há nada cientificamente comprovado sobre isso. No entanto, vários sites, revistas, bibliografia da especialidade mencionam alguns cuidados a ter:
- A ingestão faseada de líquidos: ou seja, não muito de uma vez só, mas de um modo faseado e intervalado ao longo do dia. Por exemplo, o café ou o chá levam, após ingestão, a um aumento (residual) da pressão intraocular durante algumas horas. Não é prejudicial beber café ou chá, mas deve beber poucas vezes ao dia e com intervalos grandes.
- O consumo de álcool é benéfico nos casos de um glaucoma agudo, pois reduz a pressão intraocular e até pode servir como solução nos casos de urgência. Mas deve-se beber com moderação, pois é prejudicial à saúde no geral.
- Fumar não é recomendado, pois apesar de não ter uma ligação direta com a pressão ocular, o fumo provoca doenças na córnea e até catarata, para além de ser responsável por muitas outras doenças.
- Reduzir no sal, pois faz reter líquidos no corpo.
- Há vitaminas que melhoram a saúde dos olhos: zinco, cobre, antioxidantes, vitaminas E, C e A, minerais antioxidantes, selênio.
- Frutos vermelhos do tipo mirtilo (em inglês: European blueberry, bilberry): não há provas de prevenirem o aparecimento do glaucoma, mas são benéficos ao olho, especialmente na proteção e fortalecimento das paredes capilares do olho, aumento da visão noturna e redução do tempo de recuperação por ofuscamento.

Em relação ao exercício físico, recomenda-se atividade física regular, relaxamento e descanso.
Nos casos em que o campo visual é muito reduzido, pode ter dificuldade em praticar alguns tipos de desporto, por não conseguir ver a bola ou, no ciclismo, ver os obstáculos. Possivelmente também não poderá conduzir.
O mergulho ou outras atividades subaquáticas fazem aumentar a pressão intraocular e a sua prática deve previamente ser discutida com o seu oftalmologista. Deve-se usar óculos de natação e óculos protetores no caso de desportos violentos.
Quanto à prática de ioga deve-se ter em atenção certas posições invertidas. Tudo depende do quanto o corpo está relaxado para aguentar a pressão.
Exercício regular previne doenças, melhora o sistema cardíaco, atenua o stress e é um benefício para a saúde geral do corpo. Houve um estudo que mostrou que um glaucomatoso que caminha cerca de 4 vezes por semana durante 40 minutos pode reduzir a pressão intraocular e assim eliminar a dependência de beta blockers ou as gotas deste tipo. Claro que não deve substituir gotas por caminhadas sem que o seu oftalmologista lhe confirme isso mesmo.

Outras situações:
- A sauna não é prejudicial, pelo contrário, baixa a pressão intraocular.
- A anestesia geral também não é prejudicial e há até casos em que favorece a pressão intraocular. Note-se que há exames, no caso do glaucoma congénito, que são feitos sob anestesia geral.
- Não há impedimentos quanto a voar, mas se pretende fazê-lo por rotina, deve estar atento e consultar o seu oftalmologista com regularidade.
- Os instrumentos de sopro levam a um aumento da pressão intraocular. Deve discutir isso com o seu oftalmologista, caso pretenda tocar um instrumento deste tipo.
- Durante a gravidez a pressão intraocular desce, ao contrário do que acontece na menopausa. Isto demonstra que as hormonas sexuais têm uma implicação na regulação da pressão intraocular. (Este aspeto serve apenas como chamada de atenção ou como curiosidade.)

Como disse no início da mensagem, eu não penso nisto diariamente, talvez devesse fazê-lo para conseguir melhorar ainda mais a minha condição. Mas acho toda esta informação interessante e se for tida em consideração, poderá atenuar os efeitos do glaucoma na visão, na vida e mesmo que isso não aconteça, pelo menos vai ter um impacto positivo no seu bem estar físico geral.

Fontes:
- Site - http://www.glaucoma.org/ (em inglês)
- Flammer, Josef, entre outros, Glaukom, publicação de 2009, capítulo 8 (em alemão)

Oftalmologistas especializados em glaucoma

É importante consultar desde o início do diagnóstico um médico especializado, que poderá acompanhar e aplicar com melhores resultados o tratamento ideal ao tipo de glaucoma. Ao recorrermos a um qualquer oftalmologista cuja especialização não seja glaucoma, podemos não obter as melhores respostas. Sei que é difícil encontrar o médico certo e por isso, resolvi juntar aqui nesta mensagem uma lista de oftalmologistas que trabalham essencialmente neste campo em Portugal.



Centro Hospitalar do Porto
Glaucoma
Informações neste link

António Figueiredo
Glaucoma, Lisboa (HSM)
Informações neste link

Arabela Coelho
Glaucoma, Massamá
Informações neste link

Carlos Aguiar
Glaucoma, Porto
Informações neste link

Carlos Nunes da Silva
Glaucoma, Coimbra
Trabalha em Coimbra no Hospital dos Covões.

Cláudia Gonçalves
Glaucoma, Lisboa (HSM)
Informações neste link

Fernando Silva
Glaucoma, Braga

Fernando Trancoso Vaz
Glaucoma, Lisboa

Gil Calvão Santos
Glaucoma, Porto
Aparece no site do CUF do Porto.

Isabel Lopes Cardoso e José Salgado Borges
Glaucoma, Lisboa

Joana Couceiro
Glaucoma, Lisboa (HSM)
Trabalha no Hospital de Santa Maria e faz investigações sobre o nervo ótico
e impatos do glaucoma. Não sei se dá consultas e não encontrei contactos.

João Neves Martins
Glaucoma, Cirurgia, Porto

Joaquim Sequeira
Glaucoma, Porto

José António Dias
Glaucoma, Lisboa
Informações neste link

José Fernandes
Glaucoma, Lisboa 

José Fonseca Silva Cotta
Glaucoma, Cirurgia, Porto
Está reformado

José Guilherme Monteiro
Glaucoma, Feira, Hospital de São Sebastião

José Pedro Silva
Glaucoma, Lisboa ( Hospital Lusíadas)

Leonor Almeida
Glaucoma, Lisboa (HSM)
Informações neste link

Lilianne Duarte
Glaucoma, Vila Nova de Famalicão
Informações neste link

Maria da Luz Freitas
Glaucoma, Porto

Maria João Menéres
Glaucoma, Cirurgia, Porto
Informações neste link

Maria Reina
Glaucoma, Lisboa (CUF)
Informações neste link

Paula Sens
Glaucoma, Lisboa (CUF, HSM)
Informações neste link

Pedro Faria
Glaucoma, Coimbra
Informações neste link

Teresa Gomes
Glaucoma, Cataratas, Cirurgia, Lisboa
Informações neste link

Tiago Silva
Glaucoma, Lisboa
Informações neste link






   


Esta compilação de médicos especializados teve especialmente por base o site da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia: Consultórios online
e as seguintes reuniões:
VI Reunião Temática do Hospital S. Sebastião - Glaucoma 2009, XLIX CONGRESSO PORTUGUÊS de O F TA L M O L O G I A

É ainda de interesse o site Médicos de Portugal, com informações interessantes para o utente.